sábado, fevereiro 04, 2006

A Biografia de Whitefield

A vida de David Brainerd, Os Primeiros Anos de Charles H. Spurgeon, O Diário de Whitefieldenfim, “leia as biografias de grandes santos”, é o que aconselha Joel Beeke. Pude perceber a eficácia deste conselho pelos reflexos que a biografia de A. W. Pink têm causado em um amigo. O sujeito se encontra, por assim dizer, transtornado em razão do exemplo poderoso de piedade e erudição que foi a vida de Pink.

Incitado a também acatar o conselho, prossegui na leitura d’As Confissões de Agostinho e depois passei ao livro recentemente publicado pela PES: George Whitefield: Evangelista do Avivamento do Século 18, de Arnold A. Dallimore. Nada me tem sido mais reconfortante ultimamente do que ler, perplexo, aquilo que Deus fez no passado por meio de Whitefield.

Embora nunca tenha pretendido de si mesmo ser coisa alguma, e talvez justo por isso, Whitefield foi usado por Deus de uma forma que hoje sua história até nos parece lenda: Que pregador teve 80.000 pessoas reunidas ao ar livre, permanecendo em obsequioso silêncio por mais de uma hora, somente ouvindo-o falar das boas novas de salvação? Quando digo silêncio, excetue-se o choro...

Ele não prometia tocar para eles um rock ou entretê-los com amenidades: ele pregava aquilo que apreciava chamar de “doutrinas da graça”. E essas doutrinas, que eram o conteúdo de sua pregação, eram ao mesmo tempo aquilo que lhe impulsionava a pregar: “As doutrinas da nossa eleição e da justificação gratuita em Cristo Jesus... enchem minha alma de um santo fogo e me dão grande confiança em Deus meu salvador.

Mas, se por um lado a leitura de sua história traz conforto, ela também chicoteia a consciência por ver o dedicado amor deste servo pelas almas perdidas, o seu incansável zelo por tudo aquilo que dizia respeito à promoção do Reino de Deus na terra... de modo que embora eu ainda planeje levar adiante o conselho do Pr. Joel Beeke, sei que dificilmente irei achar exemplo que me ponha mais envergonhado de mim mesmo que o do crente Whitefield.

5 comentários:

Anna Barros disse...

Fantástico...
Aquela história das 80.000 pessoas sempre me chamou atenção pela reverência que se dava à pregação da Palavra e que tem sido algo tão irrelevante para mtos crentes. Buscar reverência na casa do Senhor e nas coisas do Senhor é crescer em santidade. Que vigiemos qual tem sido a nossa prática e busquemos desesperadamente fazer a vontade de Deus!

Juan de Paula disse...

Se for a biografia escrita por J.C Ryle li alguns anos atrás quando novo convertido, porém vale a pena ler de novo (risos).

Valei dizer que era um calvinista muito firme nas doutrinas da graça, Deus o levantou de uma família muito humilde , pois trabalhava na taberna de sua mãe para custear a faculdade, aonde foi convertido no "clube santo" dos irmãos Wesley.

Sua pregação era centrada no pecado original, justificação pela fé e santificação o que gerou grande avivamento na Inglaterra.

Parabéns pelo post Márcio, que o Senhor continue te usando para articular biografias de homens que apascentaram ovelhas ao invés de entreter bodes.

Márcio S. Sobrinho disse...

Anninha, realmente, havia uma profunda reverência quando aquele homem subia ao púlpito; faz lembrar R. Murray McCheyne, de quem se diz que quando subia para pregar, antes de dissesse qualquer palavra, os soluços já poderiam ser ouvidos. Mas às vezes o povo fazia muita "bagunça" na pregação de Whitefield, p.ex., tem um caso em que Whitefield estava num hall pregando diante de uma multidão sem conta, e assim q terminou de orar e pediu pra que as pessoas abrissem as bíblias em tal passagem, o barulho de todos passando as páginas ao mesmo tempo foi tão grande que ele tomou um susto... :)

Márcio S. Sobrinho disse...

Juan, é uma outra biografia, uma síntese da obra gigantesca em dois volumes que Arnold A. Dallimore, o autor, preparou para leitores preguiçosos... :p Ele desfaz vários equívocos que giram em torno da vida de Whitefield. Um deles, p.ex., talvez possa ser esse de que ele foi convertido no clube santo: lá ele defrontou-se com o pietismo dos irmãos Wesley que pretendiam alcançar a salvação através de exercícios espirituais; mas depois de um longo período de crise, finalmente Whitefield percebeu que não era crente coisa alguma, e veio a conhecer a salvação pela graça em Cristo.

O curioso é que depois de um tempo, influenciado por alguns irmãos moravianos que lhes falaram com mais precisão acerca da obra de Cristo, e lendo os escritos de Lutero, os próprios Wesley acabaram percebendo a mesma coisa, e foram convertidos a Cristo, cerca de um ano depois que Whitefield já havia sido ordenado ministro da Inglaterra.

Uma das partes mais belas da biografia é a que relata o encontro de Whitefield com Jonathan Edwards: Edwards chorou a pregação de Whitefield inteira, no domingo pela manhã, e ao fim de três dias juntos, não queria deixar Whitefield ir embora, acompanhando-o por mais dois dias de viagem. :) E o próprio Whitefield escreveu de como Jonathan o impressionara e de como estava triste por ter de partir... Você precisa ler essa biografia!! :) Abraço!

Anônimo disse...

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